REALIDADES DO MINISTÉRIO PASTORAL

April 3, 2019

 

REALIDADES DO MINISTÉRIO PASTORAL

Condição atual de muitas Famílias Pastorais

Claudio Ernani Ebert

 

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1 Timóteo 4.16).

 

 

Uma boa porcentagem de pastores e pastoras se sente incapacitada de desenvolver e realizar o ministério de uma forma adequada

A maioria dos pastores e pastoras não se submeteu a um processo discipular e disciplinar, e hoje quando se fala de cumprir a Grande Comissão, não sabem como fazer.

Muitos são treinados para fazer membros de uma denominação e não discípulos de Cristo que multiplicarão a visão de fazer discípulos.

Ao longo da caminhada encontramos muitos pastores e pastoras cansadas e desanimadas.

Muitos se sentem derrotados.

Estão a ponto de abandonar o ministério.

Como se isso não bastasse, a solidão do pastor e da pastora é uma das suas grandes lutas.

É comum que vivam ilhados em sua denominação e em uma congregação local.

Muitos sentem que seus líderes institucionais estão interessados somente em números de membros, números de batizados, arrecadação financeira, mas não os tratam como pessoas.

Em muitos casos o pastor não precisa prestar contas a ninguém, não é mentoreado, não está sendo acompanhado por um discipulador.

Muitos são manipulados e presos às expectativas de outros, sem terem uma definição ministerial, uma convicção daquilo que Deus lhes chamou para realizar.

Em muitos casos, tanto o pastor como a pastora estão feridos, amargurados e em grandes necessidades, precisando de cuidado por se sentirem solitários e sem amigos.

Muitos pastores não têm amigos com quem possam abrir o coração e compartilhar suas lutas e tentações.

Muitos pastores têm lutas sérias para manter uma vida devocional.

Muitos, nem têm vida devocional.

Muitos pastores acabam deixando o ministério por fracasso moral. E não encontram um ministério que trabalhe com eles no sentido de restaurá-los.

A dura realidade é que 73% de todos os que estão no ministério não completarão 20 anos a serviço de Deus!

Existem muitas estatísticas sobre como os pastores enfrentam problemas como depressão, esgotamento físico e mental. Nenhuma delas é animadora. 

 

 

1) SETENTA por cento dos pastores declararam-se “estressados” ou espiritualmente esgotados.

2) Mil e quinhentos pastores abandonam o ministério todo mês por conta de desvios morais; esgotamento espiritual ou contendas na igreja.

3) 80% dos pastores sentem-se desqualificados para o exercício do ministério.

4) 50% deles afirmaram que se pudessem deixariam o ministério.

5) 70% dos pastores americanos lutam com a depressão.

6) Quase 40% deles afirmaram ter tido algum tipo de relacionamento extraconjugal desde que iniciaram seu ministério.

7) E 70% afirmaram que só leem a Bíblia quando preparam seus sermões.[1]

 

 

Muitos se sentem extremamente inseguros, e ameaçados e pressionados por outros ministérios ou pessoas.

O pastorado pode chegar a ser um lugar para preguiçosos, um refúgio para desempregados.

Muitos pastores são mal pagos, mas têm que se vestir bem.

Em alguns casos o salário que recebem, passa a ser uma arma nas mãos de sua liderança, para manipulá-lo e controlá-lo em meio a um clima de hostilidade.

Muitas congregações tratam o pastor como empregado que é pago para realizar o que eles querem.

Deve viver com pouco, porém ainda assim oferecer sua casa como um hotel e restaurante.

A família está no meio dessa turbulência, e ele tem que estar bem no domingo para pregar e tem que trazer uma boa pregação para que o auditório se sinta bem.

E sua família tem que estar em todas as reuniões da igreja.

Muitos se sentem como malabaristas de circo: - têm que fazer tudo funcionar, a engrenagem não pode parar.

Muitos têm pecados ocultos, e não encontram alguém a quem confessar e buscar ajuda para sair do laço do diabo.

Acabam levando seus pecados para a sepultura.

Muitos pastores se sentem como um objeto descartável para sua denominação.

Eles têm que ter a forma da denominação, e se saírem disso, são descartados.

O pastor e sua família são incluídos numa classe que não pertence à igreja que é apascentada.

Esse homem, muitas vezes se encontra sufocado, quase se afogando em suas dificuldades.

Hoje quando um pastor ou líder deixa o ministério, é geralmente por causa das pressões e problemas em sua família.

Sem contar as esposas que se encontram desmoronando em sua estrutura emocional com o peso de alguns fardos que elas carregam, como consequência do ministério de seus maridos.

O tempo usado no ministério é difícil de controlar pois não se limita ao horário comercial.

As atividades pastorais são frequentemente indefinidas, o que causa inexistência de limite.

Há um falso conceito de que o pastor é responsável por ganhar o mundo, a cidade para Cristo.

De que o tempo se esgota e urge que o pastor trabalhe incansavelmente.

Descanso, recreação, férias e lazer não podem fazer parte da agenda do pastor.

O ministério pastoral está desacreditado diante do mundo em razão das divisões entre as igrejas e pelo péssimo testemunho de alguns.

Sem contar que há um número significativo de homens pastores com um caráter que não recebeu e nem recebe tratamento.

Há muita religiosidade no meio evangélico e pouco estilo de vida de um discípulo de Cristo.

Muitos pastores estão mais interessados em fazer um membro da sua denominação, que cumpra religiosamente o que lhe é imposto, mais do que um discípulo revolucionário, questionador, que quer saber, que quer conhecer a vontade de Cristo a qualquer custo.

Muitos pastores se utilizam da Bíblia para conseguir seus intentos, para conseguir seus objetivos, para justificar suas posições de proeminência sobre os outros.

Pessoas que têm dom pastoral, são também ovelhas que necessitam de cuidado, pastoreio e proteção.

Famílias pastorais têm sentimentos, têm uma esposa, marido e filhos, enfrentam problemas, têm necessidades físicas, espirituais e emocionais.

Homens e mulheres enfrentam problemas de relacionamentos, vem com sua bagagem de dores, traumas e feridas que precisam ser tratadas.

É gente normal que precisa ser acompanhada, pastoreada, alimentada, consolada e animada.

Família pastorais têm problemas financeiros, precisam fazer compras no mercado, pagar a escola das crianças, comprar medicamentos, pagar um plano de saúde, comprar roupas adequadas à posição que ocupam.

O casal pastoral, ou o indivíduo pastoral, precisa de um contexto onde ele possa se expressar como é, ser conhecido, compreendido, escutado e saber que tem alguém que é seu amigo, que está andando com ele e que não está sozinho.

É gente que precisa de um contexto de pacto, de aliança de fidelidade, de lealdade, de confiabilidade, de companheirismo para poder abrir o coração e repartir as cargas.

Gente que precisa de um contexto onde possam relaxar, brincar aprender a descansar e aprender a fazer nada sem sentir culpa.

Tal como um arco continuamente retesado, tenso, perderá sua elasticidade e potência e será de pouco proveito para sua família e ministério.

Pastores e pastoras não precisam ser mais velhos, mais formados, ou mais intelectuais que as pessoas a quem ministram.

Pastores e pastoras se distinguem pelo seu chamado, pela sua vocação. São gente vocacionada.

Não ministram apenas conhecimento e intelectualidades.

São ministros da Palavra de Deus divinamente inspirada.

Precisa, isso sim, ser entendidos nas Escrituras, conhecedores dos fundamentos da fé e guardadores dos princípios apostólicos que os levaram à conversão e entrega a Cristo.

Pastoras e pastores precisam de algum grupo de identificação, com o qual se encontrem regularmente. Esse é o padrão ideal de vida e ministério.

Nesse grupo de identificação, busca-se a proteção com muita solicitude, com muito carinho.

Vive-se a experiência de um grupo que decidiu andar junto. Que decidiu não andar mais, sozinho. Propõe-se um grupo de pastoreio mutuo.

Propõe-se a disposição de submeter-se um ao outro, de se permitir ser tratado.

Estar juntos é terapêutico, e isso precisa ser visto como prioridade.

Um grupo de identificação onde se vive e se experimenta doação e se compartilha a vida pessoal.

Não pode ser simplesmente um grupo que se encontra esporadicamente e com o qual se assume um compromisso, com estratégia de andar juntos por um período determinado.

É muito mais do que isso! Precisa ser que ser um estilo de vida no qual se vive até nos encontrarmos com o Senhor Jesus.

Esse grupo de identificação não é um grupo de estudo bíblico ou aperfeiçoamento teológico.

É muito mais do que isso, é onde se compartilha a vida e se permite ser tratado através do pastoreio mutuo.

É onde o pastor e a pastora exercitam a transparência e podem ser quem de fato são, sem máscaras e maquiagem, para permitir o trato de Deus na vida através dos companheiros de aliança.

Essa aliança é uma expressão de unidade do Corpo de Cristo, num tempo onde o testemunho da igreja nessa área anda tão frustrado, diante de um mundo que olha para a igreja e ao invés de vê-la como a solução para uma sociedade caótica e esfacelada, a enxerga como parte do problema em razão de suas brigas e divisões.

Esse processo de caminhada conjunta visa para desenvolver a amizade, companheirismo, confiabilidade para repartir as cargas e compartilhar a vida. Por isso esse processo é uma prioridade para a vida pastoral.

Um grupo de aliança firme que se propõe a ser o OÁSIS onde a pastora e o pastor encontram refrigério, descanso, consolo, apoio e restauração.

É uma ferramenta de discipulado, mas uma ferramenta de discipulado mútuo que pode ser aplicada em qualquer contexto.

Essa aliança proporciona um discipulado de acompanhamento, convívio, trato e ajuda mútua.

Por tudo isto, pastoras e pastores apresentam um perfil discipulador que fará parte do seu estilo de vida e ministério — para sempre.

E vai multiplicar na vida de outros com quem formarão novas alianças, em compromisso de vida.

 

CONCLUSÃO

Uma mulher e um homem de Deus que recebem um chamado ministerial, submetem suas vidas ao tratamento, para serem curadas e curados em suas emoções e seus relacionamentos.

Então, capacitados pelo Espírito Santo, suportam todas as pressões que sobrevém a ele e sua família.

Assim, viverão, não um ministério triunfalista, mas triunfante, com um caráter forjado segundo o caráter de Cristo.

“Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento” (2 Coríntios 2.14).

 

 

 

[1] Pr. Weber Instituto Schaeffer. Disponível em: https://weberchagas.wordpress.com/2010/04/28/pastores-em-perigo/ Acessado em 06 mar 2019 às 20h30min.

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